A experiência de um cliente da Australian Centre em Sydney (Parte 1)

Por Marco Estrella

O ano de 2010 foi um ano de grandes mudanças na minha vida, troquei um emprego estável por algo incerto, embarquei para Londres e me distanciei da chamada zona de conforto. Decidi arriscar e ver como era a vida do outro lado do muro, experimentei e gostei! Quem sou eu, depois destas mudanças todas? Sou um economista, porém hoje desejo experimentar um fotojornalista! Após sete meses na Europa, o próximo porto a aportar meu barco foi a distante Austrália.
E cá estou, ou melhor, estamos. Acostumem-se com a terceira pessoa do plural, pois terei a companhia da minha parceira e namorada, Arianne. Isso sem contar nos grandes amigos que tomaram um rumo parecido, por aqui, antes de mim.
Sendo assim muito prazer, eu sou Marco Estrella.
Pretendo escrever as experiências dessa terra distante, ajudando os internautas, leitores e curiosos deste blog de maneira objetiva, mas sem esquecer o lado lúdico do caldeirão de emoções e sensações que tomam conta do estrangeiro, seja ele um estudante, um trabalhador ou um turista.
Esses sentimentos começam momentos antes da partida, uma mistura de tristeza – por deixar a família e tantos amigos para trás – com a felicidade de partir para uma nova realidade. Apesar de supostamente já ter um certo know-how em “friozinho na barriga pré-viagem” e ter contado com apoio irrestrito da Australian Centre identifiquei novas sensações: amnésia, stress, irritabilidade e até um “piriri” resolveu dar o ar da graça.
Passado o portão de embarque no Aeroporto de Guarulhos – apesar do medo ainda presente e latente – a empolgação tomou conta de nós e a ansiedade assumiu o papel de protagonista. Ainda mais quando temos muito tempo para pensar, nas mais de 20 horas de vôo. Pensar, pensar e pensar mesmo durante a exibição dos filmes nas pequenas telas do avião. Enfim, aqueles que não gostam de grandes e intensas emoções devem mudar de canal.
Chegamos em terras australianas e o sentimento da vez foi o da felicidade. Felicidade de pousarmos em segurança, de nossas malas não terem sido extraviadas, de reencontramos grandes amigos e deste novo capítulo começar de forma tão perfeita. Sydney meu caro novo amigo, prepare-se! Nós vamos invadir suas praias!
Naturalmente essas primeiras palavras são carregadas de outra emoção. O deslumbramento! Pois perdoem o tom exagerado das próximas palavras, mas posso dizer que definitivamente estamos na sucursal do paraíso.
Desde que chegamos todos nossos amigos assumiram o papel de… A M I G OS. Oferecendo um lugar para morar enquanto buscamos emprego, assumindo o papel de guias turísticos e acima de tudo tornando menos difícil o natural choque  de chegar em um lugar desconhecido. Tudo perfeito, mas não podemos deixar com que esse pacote de facilidades gere aquela famosa acomodação que toma conta de muito brasileiros. Aquele comportamento de permanecer em guetos onde a língua oficial é o português e simplesmente ignorar a diversidade de etnias e nacionalidades que estão aqui, bem perto.
Chegamos cansados, em um final de semana, mas com pique para tomar uma cerveja em um pub e conhecer a praia que será nossa morada nesses primeiros dias. Manly, primeira praia do litoral norte de Sydney. Praia bela, com apelo turístico, boas ondas, redes de vôlei; praia conhecida pela grande quantidade de brazucas. Banho de mar revigorante e depois cama.
Sábado significa churrasco na praia, isso mesmo, na praia. Tem algo mais prazeroso do que comer carne, acompanhado de uma cerveja e olhando para um visual maravilhoso? Me desculpem os vegetarianos, mas para mim não!  Aqueles que, após lerem nosso relato, pensaram naquele estereótipo de farofeiro, acalmem-se! Por aqui isso é muito normal: farofeiro, mas limpinho, sem deixar nenhum vestígio da farofa para trás.
O domingo foi destinado às praias do litoral norte.  Assumimos um easy rider de parar onde o cenário chamasse a atenção, permanecer pouco tempo e partir para a próxima. Neste esquema – sem destino -conhecemos as praias de Curl Curl, Dee Why, NewPort, Avalon e Whale Beach. Não vou falar sobre as praias, observem as fotos e façam o seu próprio veredito.
A partir de segunda-feira a vida real começou. Tivemos que resolver algumas questões burocráticas para nos tornamos aptos a trabalhar, afinal não dá pra viver de sombra e água fresca, né? A burocracia australiana não é assustadora, de forma que resolvemos grande parte das pendências por telefone ou pela internet. Tivemos que conhecer o centro de Sydney, que todos por aqui chamam de City.
E aí eu sou obrigado a voltar para a dinâmica das emoções: ir para a City, gerou um sentimento estranho! Somos dois paulistanos, moramos em Londres e estamos, portanto acostumados com a vida maluca de uma grande cidade, mas nos sentimos como caiçaras. Deu uma vontade louca de voltar correndo para nosso refúgio à beira mar. Apesar disso, não podemos negar a beleza do centro de Sydney: o Opera House é uma das maravilhas arquitetônicas do mundo, a Harbour Bridge é imponente e charmosa, os arranha-céus espelhados refletindo a vida agitada do centro e por fim outro sentimento que deu uma certa nostalgia: diversos nomes de rua iguais aos das ruas londrinas. Triste? Nada disso, apenas uma constatação. Em vez de saudades da Terra da Rainha, pensávamos apenas em voltar para nossa praia.

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